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Resquícios

Mauri Rodrigues ainda presta contas à Justiça por gestão desastrosa na saúde

Réu, ele deve arrolar testemunhas para oitiva em audiência de instrução e julgamento

Política | 19 de Março de 2015 as 11h 04min
Fonte: Repórter MT

O ex-secretário estadual de Saúde, Mauri Rodrigues de Lima, que respondeu pela pasta em 2013, é réu na Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular por suspeita de atos de improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na ação impetrada pelo Ministério Público Estadual (MPE), o juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior deferiu uma oitiva de testemunhas arroladas pelo réu. A audiência de instrução e julgamento está marcada para o dia 06 de maio de 2015, às 14h. Mauri é acusado de reiterada recusa/omissão a cumprimento de ordem judicial “o que, insofismavelmente, configura improbidade administrativa, na medida em que configura, também, crime de responsabilidade”, diz trecho da ação.

De acordo com a acusação, o ex-secretário ocultava-se deliberadamente para evitar intimações, descumpria decisões judiciais e ainda agia ardilosamente ocultando-se ao recebimento das intimações. O MPE cita 8 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que não tiveram suas liminares atendidas na gestão de Mauri. Maria Roneide Sobral da Silva Saraiva precisava de, em 48 horas, receber uma cirurgia ortopédica de Artroplastia Reversa; Antônia Maria dos Santos também aguardava em 48 horas cirurgia para ruptura de tendão supra-espinhal ou manguito rotator. Ambas não foram atendidas mesmo com ordem judicial. O paciente Alipo Santana, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral com sequelas graves, esperava receber em 24 horas suplementos Nuten Active (6 latas) e fraldas geriátricas mensalmente e de forma ininterrupta. Laureando Mafalda Brizola precisava de uma operação cirúrgica em hospital equipado com Unidade de Terapia Intensiva. Mauri deveria autorizar o fornecimento do medicamento Susten (malato de sunitinite) ao paciente Amado de Oliveira, portador de câncer de rim, contudo mesmo tendo sido intimado por mais de uma vez, permaneceu inerte descumprindo a referida ordem judicial. Ao paciente Joel Guerra, Mauri recusou cumprimento à decisão liminar para compra do medicamento Brometo de Tiotrópico. Nem mesmo por meio da procuradora do Estado, Gláucia Anne Kelly Rodrigues do Amaral, a paciente Briana Maria Valverde conseguiu a disponibilização de fármacos específicos. Assim como o paciente Carlos Antônio da Silva.

 

SAÍDA TRAUMÁTICA

Mauri Rodrigues teve uma passagem conturbada pela Ses. Ele foi nomeado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para gerir uma das secretarias mais conturbadas do Estado. Logo que assumiu enfrentou um verdadeiro “cabo de guerra” com o Partido Progressista (PP), que “tomava conta” da secretaria há anos, capitaneada pelo ex-deputado federal Pedro Henry. Na época, os deputados Antônio Azambuja e Ezequiel Fonseca (ambos do PP) resolveram pressionar o Palácio Paiaguás depois que Mauri resolveu retirar a maioria de servidores da SES indicados pela sigla para cargos comissionados. Em seguida, Pedro Henry, denunciou que a SES desviou R$ 37 milhões, de maio de 2012 até agosto de 2013, verba que seria aplicada no Hospital Regional de Sinop. Essas situações, mais a crise da pasta foram suficientes para a queda de Mauri em outubro de 2013. Mauri se demitiu. Mas antes havia sido afastado do cargo diversas vezes por causa no atraso de repasse aos municípios e descumprimento de liminares. Em sua gestão vários escândalos foram vinculados à pasta, como por exemplo, mais de R$ 4 milhões em medicamentos que foram jogados fora, por terem perdido o prazo de validade.

A Farmácia de Alto Custo foi alvo de polêmica nacional quando descobriu-se um estoque de medicamentos vencidos. O prejuízo foi da ordem de R$ 2,8 milhões, conforme relatório da Auditoria Geral do Estado (AGU). Em julho daquele ano, a Farmácia fechou as portas porque servidores do Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (Ipas), que administra o local, cruzaram os braços devido a um atraso de seis meses no repasse à instituição. Mauri voltou a viver em Sinop após deixar o cargo e dirige empresas particulares, entre elas uma emissora de televisão.